Direito sucessório · São Paulo

Planejamento sucessório em São Paulo: quem herda, quanto custa e quem decide por você

Sem planejamento, quem decide é a lei. Com planejamento, quem decide é você, dentro do que a lei permite, com o custo da transmissão conhecido antes. Aqui estão os instrumentos — testamento, doação com usufruto, holding, previdência, mandato preventivo — explicados com números, fontes e limites.

Exemplos: imposto da herança, testamento vital, previdência, prazo do inventário.

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PATRIMÔNIOVOCÊCÔNJUGEFILHAFILHOFILHANETONETA3 GERAÇÕES

Em resumo

Planejamento sucessório é organizar em vida quem recebe o quê, quanto vai custar transmitir e quem decide se você não puder decidir. Havendo filhos, pais ou cônjuge, metade do patrimônio — a legítima — é reservada a eles por lei; a outra metade pode ser destinada por testamento ou doação. Em São Paulo, o imposto sobre herança e doação (ITCMD) segue em 4% fixo, e o inventário deve ser aberto em até 60 dias do falecimento, sob multa de 10% ou 20% sobre o imposto. Doação com usufruto, testamento, holding e previdência podem ser úteis, mas não garantem economia, ausência de conflitos ou dispensa de inventário.

A capacidade deve ser analisada para cada ato; idade, doença ou deficiência não significam incapacidade automática. Dificuldades de manifestação de vontade podem exigir medidas de apoio ou curatela, conforme os requisitos legais. Ninguém pode fazer testamento por outra pessoa.

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As quatro perguntas que toda família deveria conseguir responder

Quem fica com o quê, quanto vai custar transmitir, quem decide se você não puder decidir e como evitar que o patrimônio vire motivo de briga: se alguma resposta for “não sei”, é por aí que o planejamento começa.

Cena 01 · As quatro perguntas
Quem fica com o quê?testamento e doaçãoQuanto custa transmitir?diagnóstico patrimonialQuem decide se eu não puder?mandato preventivo e diretivasComo evitar a briga?regras claras, decididas em vidaSe alguma resposta for “não sei”, comece por ela.
Cada pergunta aponta para um instrumento diferente.

Planejamento sucessório não começa por um instrumento — começa por perguntas. Estas quatro valem para qualquer família, com um imóvel ou com vários, e cada uma leva a uma ferramenta diferente.

  1. Quem fica com o quê — e isso está escrito?

    Sem testamento nem doação, a divisão segue a ordem do Código Civil, sem considerar preferências pessoais. Quem quer algo diferente da regra legal — proteger um filho que precisa de mais atenção, um companheiro, um enteado — precisa deixar isso por escrito, dentro da parte disponível.

    Testamento e doação
  2. Quanto vai custar transmitir?

    Imposto, cartório, honorários e tempo. Em São Paulo, só o ITCMD é de 4% sobre o valor transmitido — R$ 80 mil num patrimônio de R$ 2 milhões —, sem contar despesas e eventual multa por atraso. A maioria das famílias só descobre o valor na hora.

    Diagnóstico patrimonial
  3. Quem decide por mim se eu não puder decidir?

    Doença ou perda de lucidez sem instrumento prévio levam a família a pedir a curatela na Justiça — o antigo nome é interdição —, com perícia médica e tempo. Enquanto isso, decisões sobre os bens podem ficar travadas.

    Mandato preventivo e diretivas
  4. Como evitar que o patrimônio vire motivo de briga?

    Regras claras definidas em vida poupam os filhos de negociar no luto. Nenhum instrumento garante a ausência de conflito, mas decisões tomadas e explicadas reduzem o espaço para disputa.

    Plano escrito e cláusulas

O que fazer agora

  1. Responda às quatro perguntas por escrito, mesmo que a resposta seja “não sei”.
  2. Separe o que já existe: escrituras, a última declaração de Imposto de Renda, apólices e planos de previdência.
  3. Leia a seção de diagnóstico patrimonial, o primeiro passo prático.

Fonte: Código Civil, art. 1.829; CPC, arts. 747 a 758; Lei SP 10.705/2000, art. 16.

Planejamento sucessório: o guiaDireito Sucessório no escritório

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Quem herda sem testamento: herdeiros necessários e a legítima

Sem testamento, a herança segue a ordem do Código Civil (art. 1.829): primeiro os descendentes, junto com o cônjuge conforme o regime de bens; depois os ascendentes, com o cônjuge; depois o cônjuge sozinho; por fim, os parentes até o quarto grau. Filhos, pais e cônjuge são herdeiros necessários e têm direito a 50% do patrimônio, a legítima.

Cena 02 · Legítima e parte disponível
BENS COMUNS DO CASALMeação · 50%não é herançaHerança · 50%é ela que se divideA HERANÇA, POR INTEIRO50%Legítimareservada por lei50%Parte disponíveltestamento ou doação
Primeiro separa-se a meação; depois, a herança se divide em legítima e parte disponível.

A ordem da lei

Quem herda sem testamento (Código Civil, art. 1.829)
OrdemQuem herdaObservação
1ªDescendentes (filhos, netos), junto com o cônjugeA concorrência do cônjuge depende do regime de bens
2ªAscendentes (pais, avós), junto com o cônjugeSó se não houver descendentes
3ªCônjuge sobrevivente, sozinhoSem descendentes nem ascendentes
4ªParentes colaterais até o 4º grauIrmãos, sobrinhos, tios e primos

O companheiro de união estável tem os mesmos direitos sucessórios do cônjuge, segundo o STF (Temas 498 e 809, de 2017). A divisão não leva em conta quem cuidou mais, quem precisa mais ou o que o falecido teria preferido: sem documento, vale a regra, e a partilha depende de acordo entre os herdeiros ou de decisão judicial.

Legítima e parte disponível

Descendentes, ascendentes e cônjuge são herdeiros necessários. A eles a lei reserva metade dos bens, a legítima (Código Civil, arts. 1.789, 1.845 e 1.846). Quem tem herdeiros necessários só pode destinar livremente a outra metade, a parte disponível — por testamento ou por doação. Quem não tem herdeiros necessários pode dispor de tudo: o solteiro sem filhos, cujos pais já morreram, pode deixar o patrimônio a um amigo ou a uma instituição; sem testamento, a herança iria para irmãos e sobrinhos.

Por isso não é possível deixar tudo para um só filho quando há outros: metade do patrimônio é dividida entre os herdeiros necessários por lei, e só a outra metade pode ir para um filho específico.

Meação não é herança

Quem é casado em regime de comunhão tem a meação: metade dos bens comuns do casal, que já pertence ao cônjuge e não entra na herança (Código Civil, art. 1.658). Primeiro separa-se a meação; só depois se calcula a herança — e, dentro dela, a legítima. Na morte de quem é casado e tem dois filhos, a herança é dividida pela lei entre os filhos e, conforme o regime de bens, o cônjuge pode concorrer com eles.

Os percentuais de cada herdeiro dependem do regime de bens, da existência de bens particulares e da composição da família. A cena mostra a lógica geral, não o cálculo de um caso concreto.

O que fazer agora

  1. Confirme o regime de bens do casamento ou da união estável.
  2. Liste quem são hoje os seus herdeiros necessários.
  3. Se a divisão da lei não é a que você quer, avalie testamento ou doação dentro da parte disponível.
Planejar em vida

Diagnóstico patrimonial: o mapa antes da decisão

O diagnóstico patrimonial é o levantamento de bens, dívidas, regime de casamento, herdeiros, previdência, seguros e bens no exterior, com o custo de transmitir tudo hoje e em cada caminho possível. É o primeiro passo — e muitas vezes mostra que a solução é mais simples do que se imaginava.

Cena 03 · Mapa do patrimônio
MAPA DO PATRIMÔNIOImóveisAplicaçõesPrevidênciaSeguros de vidaEmpresa e quotasBens no exteriorRegime de bensHerdeirosPatrimônioR$ 2.000.000ITCMD em São Paulo× 4%só de impostoR$ 80.000sem cartório, honorários e eventual multa
Exemplo de cálculo: R$ 2 milhões × 4% de ITCMD em São Paulo = R$ 80 mil, só de imposto.

Nenhum instrumento de sucessão é bom ou ruim em abstrato. Testamento, doação com usufruto, holding e previdência resolvem problemas diferentes e têm custos diferentes — que mudaram com a Reforma Tributária. A escolha só é segura depois que o patrimônio e a família estão no papel.

O que entra no mapa

  • Imóveis — matrículas, valor de mercado e onde estão (o ITCMD de imóvel é do estado onde ele fica).
  • Aplicações financeiras e contas, com os valores atualizados.
  • Previdência e seguros — VGBL, PGBL, fundo de pensão da empresa e seguros de vida, com os beneficiários indicados.
  • Empresas e quotas, inclusive holding já existente.
  • Bens no exterior e a forma de titularidade.
  • Dívidas, garantias e compromissos.
  • Regime de bens do casamento ou da união estável.
  • Herdeiros necessários e as demais pessoas que você quer proteger.

Quanto custa transmitir: a conta que poucos fazem

Em São Paulo, o ITCMD — imposto sobre herança e doação — é de 4% sobre o valor transmitido (Lei SP 10.705/2000, art. 16). Num patrimônio de R$ 2 milhões, são R$ 80 mil só de imposto, sem contar cartório, honorários e eventual multa por atraso. O valor exato depende da base de cada bem e das isenções. Na lei paulista atual, as dívidas não são abatidas da base, e doações do mesmo doador ao mesmo donatário no mesmo ano são somadas.

Isenções do ITCMD em São Paulo (valores de 2026; UFESP de R$ 38,42)
SituaçãoLimite
Doaçãoaté 2.500 UFESPs — R$ 96.050 por ano civil, do mesmo doador ao mesmo donatário
Herança de imóvel residencialaté 5.000 UFESPs — R$ 192.100, se a família morar nele e não tiver outro imóvel
Herança de imóvelaté 2.500 UFESPs — R$ 96.050, se for o único transmitido
Herança de depósitos e aplicaçõesaté 1.000 UFESPs — R$ 38.420

Como a lei paulista do ITCMD ainda pode mudar (veja a Reforma Tributária muda a conta), o diagnóstico simula o imposto em três cenários: os 4% atuais, a régua do PL 7/2024 (2% a 8%) e a do PL 409/2025 (1% a 4%). Com isso, a decisão de doar agora ou esperar fica fundamentada, e não baseada em boato.

O que fazer agora

  1. Junte matrículas, a última declaração de IR, extratos, apólices e regulamentos de previdência.
  2. Anote o regime de bens e quem está indicado como beneficiário em cada plano.
  3. Faça uma primeira estimativa na Calculadora de Inventário.
Planejar em vida

Testamento: o que ele pode decidir — e o que não pode

O testamento define quem recebe a parte disponível — metade do patrimônio quando há herdeiros necessários —, nomeia quem cuidará da partilha e pode proteger herdeiro que precise de atenção especial. Ele não evita o inventário, e ninguém pode fazer testamento por outra pessoa.

Cena 04 · Testamento público
TESTAMENTO PÚBLICODeixo a parte disponível a…metade dopatrimônio,quando háherdeirosnecessáriosTESTADORCartório de notas · tabelião e duas testemunhas
O testamento público é lavrado em cartório de notas, com o tabelião e duas testemunhas.

O testamento é o documento em que a pessoa diz, em vida, como quer que seus bens sejam destinados depois da morte. É útil sempre que se quer algo diferente da regra da lei: favorecer um filho dentro da parte disponível, deixar um bem a um neto, a um enteado, a um companheiro ou a uma instituição, ou simplesmente evitar dúvidas entre herdeiros. Não é instrumento só para grandes patrimônios.

O que cabe no testamento

  • Destinar a parte disponível a quem você escolher.
  • Nomear testamenteiro, a pessoa que cuidará do cumprimento.
  • Instituir legados: um bem específico para uma pessoa específica.
  • Reconhecer filhos.
  • Impor cláusulas de inalienabilidade, impenhorabilidade e incomunicabilidade — sobre a legítima, só com justa causa declarada (Código Civil, art. 1.848).

Como se faz

O caminho mais usado é o testamento público, feito em cartório de notas, diante do tabelião e de duas testemunhas (Código Civil, art. 1.864). Ele pode ser revisto a qualquer tempo. Testamento é ato pessoal: ninguém o faz por outra pessoa. A capacidade de quem testa é analisada no momento do ato; idade, doença ou deficiência, isoladamente, não significam incapacidade.

Testamento evita inventário?

Não. O testamento organiza quem recebe o quê, mas o inventário continua necessário. Desde a Resolução CNJ 571/2024, havendo acordo entre os herdeiros e testamento registrado ou cumprido judicialmente, o inventário pode ser feito em cartório — em geral bem mais rápido (veja cartório × Justiça).

Testamento gera briga?

Pode ser contestado, principalmente quando mal redigido ou quando invade a legítima. Um testamento público, bem fundamentado e dentro da lei reduz esse risco — não o elimina. A cláusula de incomunicabilidade, por exemplo, impede que o bem herdado entre na comunhão do casamento do herdeiro, mas sobre a legítima exige justa causa declarada.

O que fazer agora

  1. Escreva o que você quer diferente da regra da lei.
  2. Verifique se a destinação cabe na parte disponível.
  3. Revise o testamento quando a família ou o patrimônio mudarem.
Planejar em vida

Doação com reserva de usufruto: doar o imóvel e continuar morando nele

Na doação com reserva de usufruto, os filhos recebem a nua-propriedade — o título de dono — e os pais mantêm o usufruto: o direito de morar, alugar e receber a renda enquanto viverem. Em São Paulo, o ITCMD de 4% pode ser pago 2/3 na escritura e 1/3 quando o usufruto acaba, ou 100% na escritura.

Cena 05 · Doação com usufruto
Nua-propriedadefilhos: o título de donoUsufruto · paismorar, alugar e recebera renda enquanto viveremITCMD EM SP · IMÓVEL DE R$ 900 MIL2/3 na escrituraR$ 24 mil1/3 no fim do usufruto4% sobre o terço restanteOU100% na escritura · R$ 36 milPosição do escritório: tende a ser mais seguro.
Exemplo com imóvel de R$ 900 mil e a alíquota atual de 4% em São Paulo.

Com a morte do usufrutuário — ou a renúncia —, o usufruto se extingue e os filhos passam a ter a propriedade plena, sem inventário daquele bem (Código Civil, arts. 1.390 e seguintes). Doar não é abrir mão de tudo: o doador mantém o uso e a renda, mas perde o título de dono e a liberdade de vender sozinho.

Quanto custa em São Paulo: um imóvel de R$ 900 mil

ITCMD na doação com reserva de usufruto (alíquota de 4%)
Forma de pagamentoNa escrituraDepois
Em duas partesR$ 24 mil (4% sobre 2/3, ou R$ 600 mil)4% sobre o terço restante, quando o usufruto acabar
IntegralR$ 36 mil (4% sobre 100%)Nada a pagar

A lei paulista fixa a base em 2/3 do valor do bem na transmissão da nua-propriedade e em 1/3 no usufruto (Lei SP 10.705/2000, art. 9º, §2º). O regulamento permite recolher 2/3 antes da escritura e 1/3 na consolidação da propriedade, ou 100% antes da escritura (Decreto SP 46.655/2002, art. 31, §3º). Segundo a Secretaria da Fazenda, o terço diferido é calculado sobre o valor do bem na data da doação, atualizado pela UFESP.

Paga imposto duas vezes?

Não paga duas vezes, mas em São Paulo pode pagar em duas vezes. O imposto é um só, o da doação. A LC 227/2026 confirma que a extinção do usufruto não é fato gerador novo (art. 150, II). Há leituras de que a lei complementar levaria à cobrança integral já na doação, o que dependeria de adaptação da lei paulista; em 2026 vale o regime atual de São Paulo. Não há manifestação oficial sobre qual alíquota se aplicaria ao terço diferido se a régua paulista mudar antes da extinção.

Posição do escritório: pagar 100% do ITCMD já na escritura tende a ser mais seguro. Quita o imposto de uma vez, evita que a família precise lembrar e pagar o terço anos depois e afasta a incerteza sobre a alíquota aplicável a esse terço se a régua paulista mudar.

Cláusulas de proteção

  • Inalienabilidade — o bem não pode ser vendido.
  • Impenhorabilidade — não pode ser penhorado por dívidas do donatário.
  • Incomunicabilidade — não entra na partilha do divórcio do donatário.
  • Reversão — volta ao doador se o donatário morrer antes.

A validade, o alcance e os limites de cada cláusula são analisados caso a caso (Código Civil, arts. 547 e 1.911). A mesma lógica vale para a doação de quotas de holding com usufruto.

Imposto de Renda e colação

A doação pode ser feita pelo valor da declaração de IR do doador ou por valor maior; se maior, a diferença é ganho de capital do doador (Lei 9.532/1997, art. 23). A doação a herdeiro necessário é adiantamento da herança e vai à colação no inventário, salvo dispensa expressa dentro da parte disponível (Código Civil, arts. 2.002 e 2.005).

Depois de doar, a venda do imóvel depende da concordância dos filhos, que passam a ser os donos; com cláusula de inalienabilidade, fica ainda mais difícil. A doação deve respeitar a legítima dos demais herdeiros e a subsistência de quem doa. E não é hora de “correr para o cartório”: um dos projetos do ITCMD paulista reduz a alíquota, e antecipar a doação pode não compensar.

O que fazer agora

  1. Avalie o bem e calcule ITCMD e Imposto de Renda antes da escritura.
  2. Decida entre pagar o imposto em duas partes ou de uma vez.
  3. Defina as cláusulas e confira a parte disponível, para não invadir a legítima.
Planejar em vida

Holding familiar: quando faz sentido — e por que, como regra, não recomendamos

Holding familiar é uma empresa criada para ser dona dos imóveis e investimentos da família. Depois da Reforma Tributária, a posição do escritório é clara: como regra geral, salvo raras exceções, a holding não é recomendada; as exceções são avaliadas caso a caso, com simulação.

Cena 06 · Custo × benefício
governançasucessãoBENEFÍCIOScontabilidadeIBS/CBS10% dividendosITCMD quotasCUSTOSRegra geral: não recomendadasalvo raras exceções, avaliadas com simulação
Na conta de hoje, os custos da holding tendem a pesar mais que os benefícios para a pessoa física comum.

Na holding, os pais transferem bens para a empresa (integralização de capital) e depois podem doar as quotas aos filhos, em geral com reserva de usufruto e cláusulas de proteção. O contrato social e o acordo de sócios trazem as regras de governança e sucessão. É instrumento legal — mas não é solução para todos, e a Reforma Tributária mudou a conta.

O que a Reforma acrescentou à conta

  • Aluguel recebido pela holding paga IBS/CBS, com redução de 70% e redutor de R$ 600 por imóvel residencial, sem os limites de proteção da pessoa física (LC 214/2025, arts. 260 e 261).
  • Lucros distribuídos aos sócios têm retenção de 10% acima de R$ 50 mil por mês e entram no imposto mínimo (Lei 15.270/2025).
  • ITCMD sobre quotas passa a ser calculado a valor de mercado, com piso no patrimônio líquido ajustado, quando a lei estadual se adaptar (LC 227/2026, art. 154).
  • ITBI na integralização: não incide até o valor do capital integralizado (STF, Tema 796). O STF decidiu que essa imunidade vale também para empresas de atividade imobiliária, como a holding de aluguel, salvo simulação ou fraude (STF, Tema 1.348); o valor que exceder o capital continua tributado.
Pessoa física × holding, para quem tem imóveis alugados
Na pessoa físicaNa holding
AluguelIR até 27,5%; IBS/CBS só acima de R$ 240 mil por ano e mais de três imóveisTributos da empresa e IBS/CBS com redução de 70%
Lucros—Retenção de 10% acima de R$ 50 mil por mês
SucessãoInventário de cada imóvelTransmissão por quotas, que pagam ITCMD
Custo fixoNenhumContabilidade, obrigações acessórias e tributos da empresa

Holding não elimina o imposto da herança

A doação ou a herança das quotas paga ITCMD. A holding pode organizar a sucessão, evitar o inventário de cada imóvel e criar regras de governança, mas promessa de “não pagar imposto” com holding não corresponde à lei. A estrutura também precisa de propósito real e substância: sem isso, o fisco pode desconsiderá-la (CTN, art. 116, parágrafo único).

Quando pode ser exceção

As exceções costumam envolver quem tem vários imóveis, aluguel relevante, empresas operacionais ou precisa de regras entre herdeiros. Com um imóvel só, os custos fixos pesam ainda mais, e costuma valer comparar com doação com usufruto ou testamento. Desfazer uma holding também tem custo — ITBI, ganho de capital e, em certos casos, IBS/CBS —, por isso a decisão vem depois da simulação, nunca antes.

Já tem holding? Vale revisar antes de 2027 o contrato social, o acordo de sócios, as cláusulas das doações de quotas, a forma de distribuir lucros, o regime tributário e a conta do aluguel com IBS/CBS.

O que fazer agora

  1. Compare a holding com manter os bens no seu nome, com números.
  2. Se já tem holding, revise contrato social, acordo de sócios e distribuição de lucros.
  3. Considere instrumentos mais simples: testamento, doação com usufruto, revisão da previdência.
Reforma Tributária 2026

A Reforma Tributária muda a conta da sucessão

Parte das regras de herança e doação mudou com a Lei Complementar 227/2026, e outra parte depende de lei paulista que ainda não foi aprovada. O essencial:

4%ITCMD em São Paulo hoje, alíquota fixa (Lei SP 10.705/2000, art. 16)
2–8%régua proposta pelo PL 7/2024, em tramitação
1–4%régua proposta pelo PL 409/2025, em tramitação
90 diasdepois da publicação, e só no ano seguinte, para valer lei que aumente o imposto

Devo doar tudo agora para fugir do aumento? Não necessariamente. Um projeto aumenta o imposto para patrimônios grandes e o outro reduz. Pela régua do PL 7/2024, patrimônios até R$ 3.265.700 (valores de 2026) pagariam menos que os 4% atuais; os grandes, mais. Antecipar uma doação para fugir de uma alíquota que pode acabar menor seria erro — é conta caso a caso.

Fonte: Lei SP 10.705/2000, art. 16; ALESP, PL 7/2024; PL 409/2025; LC 227/2026, arts. 150 a 159; Constituição Federal, art. 150, III, “b” e “c”.

Proteger e transmitir

Previdência privada e seguro de vida: dinheiro para a família, fora do inventário

VGBL, PGBL e seguro de vida são pagos diretamente aos beneficiários indicados, fora do inventário. O STF afastou o ITCMD sobre VGBL e PGBL (Tema 1.214), e a LC 227/2026 incluiu previdência, seguro e pecúlio entre as não incidências do imposto.

Cena 07 · Dois caminhos
TITULARaplicação comumINVENTÁRIOITCMD 4% em SPtravado até a partilhaBENEFICIÁRIOVGBL · PGBL · seguro de vidadireto, fora do inventário, sem ITCMD
A aplicação comum para no inventário; previdência e seguro seguem direto ao beneficiário.

Enquanto o inventário não termina, contas e bens do falecido ficam, em regra, vinculados ao espólio. Previdência e seguro de vida, ao contrário, chegam logo a quem foi indicado — e podem cobrir o ITCMD e as despesas do inventário sem que a família precise vender bens às pressas.

O que diz a lei

  • Seguro de vida: o capital pago ao beneficiário não é herança e não responde pelas dívidas do segurado (Código Civil, art. 794).
  • VGBL e PGBL: o STF decidiu que é inconstitucional cobrar ITCMD sobre os valores repassados aos beneficiários na morte do titular (Tema 1.214, RE 1.363.013).
  • LC 227/2026, art. 150, III: não incide ITCMD sobre previdência, seguro e pecúlio, ainda que o beneficiário seja terceiro.
  • Fundo de pensão da empresa: o benefício pago por morte do participante segue o regulamento do plano e não entra na herança; a pensão mensal que a família receber continua sujeita ao Imposto de Renda.
VGBL × aplicação no seu nome
VGBLAplicação comum
InventárioFora: vai direto ao beneficiárioEntra e fica travada até a partilha
ITCMDNão incide4% em São Paulo hoje
Custo de entradaIOF de 5% sobre aportes acima de R$ 600 mil por ano, por CPF—

Não é blindagem total

Desde 1º de janeiro de 2026, aportes em VGBL que somarem mais de R$ 600 mil no ano — por CPF, somando todas as seguradoras — pagam IOF de 5% sobre o excedente (Decreto 12.499/2025): aplicar R$ 1 milhão no ano custa R$ 20 mil de IOF. E o STJ já decidiu que, quando o plano funciona como investimento, os valores podem voltar à colação e à partilha para proteger a legítima (REsp 2.004.210/SP, 4ª Turma, 2023). O titular escolhe livremente os beneficiários, mas a previdência não serve para esvaziar a parte dos herdeiros necessários.

A EC 132/2023 extingue o IOF sobre operações de seguro a partir de 1º de janeiro de 2027, quando os prêmios passam ao IBS e à CBS; o tratamento do VGBL pode mudar de novo.

O que fazer agora

  1. Confira quem está indicado como beneficiário em cada plano e apólice, inclusive no fundo de pensão da empresa.
  2. Verifique se a indicação reflete a família de hoje: casamentos, divórcios, nascimentos.
  3. Avalie se o valor cobre o ITCMD e as despesas do inventário.
Proteger e transmitir

Mandato preventivo e diretivas antecipadas: quem decide por você se você não puder

O mandato preventivo é uma escritura em que você indica quem administrará seus bens se ficar incapaz; as diretivas antecipadas de vontade — o chamado testamento vital — dizem quais tratamentos médicos você aceita ou recusa. Só podem ser feitos enquanto a pessoa está plenamente capaz.

Cena 08 · Quem decide por mim
QUEM DECIDE POR MIM?SEM DOCUMENTOcuratela na Justiçaperícia médicasem prazo fixocurador escolhido pelo juizCOM ESCOLHA ANTECIPADAescritura em vidaquem você escolheue as diretivas de saúdePesa na escolha do curador; não garante dispensar a curatela.
Sem documento, a decisão vai para a Justiça; com escolha antecipada, a sua vontade fica registrada.

O problema: incapacidade sem documento

Se a pessoa perde a capacidade de se manifestar por doença, acidente ou demência sem ter deixado instrumentos, a família precisa pedir a curatela na Justiça — o antigo nome é interdição. É processo com perícia médica, sem prazo fixo (depende da perícia, da comarca e de eventual contestação), e durante ele decisões sobre bens e saúde podem ficar travadas (CPC, arts. 747 a 758).

Mandato preventivo

É uma escritura pública em que a pessoa nomeia quem administrará seus bens se ficar incapaz. Não há lei específica no Brasil, e o Código Civil prevê que o mandato se extingue com a interdição (art. 682, II); por isso a eficácia depois da incapacidade é discutida. Na leitura do escritório, ele funciona sobretudo como prova da vontade: registra quem a pessoa escolheu e como queria a administração, o que pesa na escolha do curador e reduz conflitos familiares — sem garantia de evitar a curatela.

Diretivas antecipadas de vontade (testamento vital)

É o documento, em geral escritura pública, em que a pessoa diz quais tratamentos médicos aceita ou recusa se não puder se manifestar — por exemplo, ser mantida viva por aparelhos —, e pode nomear um representante para decisões de saúde. É reconhecido pelo Conselho Federal de Medicina (Resolução CFM 1.995/2012), e o médico deve considerá-lo dentro dos limites éticos e legais.

Três documentos que se confundem
Quando valeO que define
TestamentoDepois da morteQuem recebe os bens
Mandato preventivoEm vida, se houver incapacidadeQuem administra os bens
Diretivas antecipadasEm vida, se houver incapacidadeTratamentos de saúde aceitos ou recusados

A capacidade é analisada ato a ato: idade, doença ou deficiência, isoladamente, não significam incapacidade. Quando já há dificuldade de manifestação da vontade, podem ser necessárias medidas de apoio ou a curatela, conforme os requisitos legais.

O que fazer agora

  1. Escolha quem cuidaria dos seus bens e das decisões de saúde — e converse com essas pessoas.
  2. Faça as escrituras enquanto está plenamente capaz.
  3. Deixe cópias com a família e informe o médico de confiança.
Proteger e transmitir

Bens no exterior: imposto aqui, regras de lá

Para herança e doação com bens, doador ou falecido no exterior, a LC 227/2026 definiu qual estado pode cobrar o ITCMD, mas a cobrança depende de lei de cada estado — em São Paulo, ela ainda não existe e, até lá, é contestável. Bens fora do Brasil também podem exigir inventário e imposto no país onde estão.

Cena 09 · Bens no exterior
1231São Paulo · domicílio: tudo se declara no IR2Portugal · imóvel segue regras e processo de lá3EUA · conta: IR anual de 15% (Lei 14.754/2023)
Exemplo genérico: quem mora em São Paulo, com um imóvel em Portugal e uma conta nos Estados Unidos.

O STF proibiu os estados de cobrar ITCMD com elemento no exterior sem lei complementar (Tema 825). A LC 227/2026 trouxe as regras: para imóveis, primeiro o lugar do bem, depois o domicílio do doador ou falecido, depois o do donatário ou herdeiro; para bens móveis e direitos, primeiro o domicílio do doador ou falecido (arts. 158 e 159). O STF também já declarou inconstitucional o artigo da lei paulista que tratava de doador ou falecido no exterior (ADI 6.830), de modo que São Paulo precisa de lei nova para cobrar nesses casos.

Imposto de Renda: o dinheiro lá fora não fica escondido

Residentes no Brasil devem declarar bens no exterior, e a Lei 14.754/2023 tributa anualmente a 15% os rendimentos de aplicações financeiras no exterior e os lucros de empresas controladas lá fora (offshores), além de regular os trusts no Imposto de Renda. Pela LC 227/2026, o ITCMD sobre trust incide na efetiva transferência ao beneficiário ou na morte do instituidor, o que vier primeiro; criar o trust, sozinho, não gera imposto.

Dois países, dois processos

Bens no exterior em geral seguem as regras e o processo do país onde estão. Um imóvel em Portugal, por exemplo, pode exigir procedimento lá além do inventário aqui. A regra de cada país precisa ser verificada no caso concreto; organizar em vida a forma de titularidade ajuda a evitar dois processos. Manter tudo fora do Brasil não afasta o Imposto de Renda anual nem, a partir das leis estaduais, o ITCMD.

Herdeiro que mora fora do Brasil pode participar do inventário, inclusive em cartório, pessoalmente ou por procurador constituído por instrumento público.

O que fazer agora

  1. Mapeie cada bem: país, tipo de bem e forma de titularidade.
  2. Verifique o imposto aqui e lá antes de definir a transmissão.
  3. Confira se tudo está declarado no Imposto de Renda.

Fonte: STF, Tema 825 (RE 851.108); LC 227/2026, arts. 151, 158 e 159; STF, ADI 6.830; Lei 14.754/2023.

Inventário com bens no exterior

Proteger e transmitir

Inventário em cartório ou na Justiça: semanas ou anos

Com acordo entre os herdeiros, o inventário pode ser feito em cartório, por escritura — desde 2024, mesmo com testamento registrado ou herdeiro menor. Segundo o Colégio Notarial do Brasil em São Paulo, leva em média 30 dias e chega a ser até 88% mais barato; na Justiça, pode chegar a quatro anos.

Cena 10 · Duas trilhas de tempo
01 ano2 anos3 anos4 anosCARTÓRIO≈ 30 dias, em médiaaté 88% mais barato (CNB/SP)JUSTIÇApode chegar a 4 anos48 mesesmédia do CNJ: 2 anos e 4 mesesprocessos encerrados em 2025
Régua de quatro anos: o cartório termina quase no ponto de partida.

Inventário extrajudicial, em cartório

É feito por escritura pública em cartório de notas, com advogado, quando há acordo entre os herdeiros. A Resolução CNJ 571/2024 passou a admiti-lo com herdeiro menor ou incapaz — desde que ele receba a parte ideal de cada bem e haja manifestação favorável do Ministério Público — e com testamento, desde que registrado ou cumprido judicialmente. O tabelião pode recusar se houver indício de fraude ou dúvida sobre a vontade dos herdeiros. A escritura pode ser lavrada em qualquer cartório de notas do país.

Inventário judicial

É obrigatório quando não há acordo entre os herdeiros ou quando faltam requisitos da via extrajudicial (CPC, art. 610). Pelo CNJ, os processos encerrados em 2025 duraram em média 2 anos e 4 meses, e os pendentes tinham em média 3 anos e 7 meses.

Cartório × Justiça
CartórioJustiça
Quando cabeCom acordo entre todos os herdeirosHavendo conflito ou faltando requisito
DuraçãoEm média 30 dias (CNB/SP)Pode chegar a 4 anos; média de 2 anos e 4 meses (CNJ, 2025)
CustoAté 88% mais barato; mais econômico em 25 de 32 faixas de patrimônio (CNB/SP)Maior
Herdeiro menorPossível, com parte ideal e Ministério PúblicoPossível
TestamentoPossível, se registrado ou cumprido judicialmentePossível

Cartório nem sempre é melhor: exige consenso e documentação completa. Havendo conflito, o caminho é o judicial — e um planejamento que deixa decisões tomadas é o que aumenta a chance de consenso.

Documentos que a família vai precisar

Certidão de óbito, documentos dos herdeiros, certidões e matrículas dos bens, declaração de Imposto de Renda do falecido, informações de contas e investimentos e o cálculo do ITCMD.

O que fazer agora

  1. Organize em vida os documentos de cada bem.
  2. Converse com a família sobre a divisão, para favorecer o consenso.
  3. Veja a comparação completa em Inventário: cartório ou Justiça.
Decidir

Sem planejamento × com planejamento

Sem planejamento, quem decide é a lei e a família descobre o custo na hora, às vezes com multa; com planejamento, quem decide é você, dentro do que a lei permite, com o custo estimado antes e as decisões já tomadas.

Cena 11 · O comparativo que vira
SEM PLANEJAMENTOCOM PLANEJAMENTOQUEM DECIDEA lei, pela ordem de herdeirosVocê, dentro do que a lei permiteCUSTODescoberto na hora, às vezes com multaEstimado antes, com opções comparadasTEMPOInventário judicial pode levar anosTransmissão organizada, em geral em cartórioDINHEIRO DISPONÍVELContas e bens travados até a partilhaPrevidência e seguro pagos diretoFAMÍLIANegocia tudo em pleno lutoEncontra as decisões já tomadas
Cada linha vira quando o planejamento passa por ela.
Sem planejamentoCom planejamento
Quem decideA lei, pela ordem de herdeirosVocê, dentro do que a lei permite
CustoDescoberto na hora, às vezes com multaEstimado antes, com opções comparadas
TempoInventário judicial pode levar anosTransmissão organizada, em geral em cartório
Dinheiro disponívelContas e bens travados até a partilhaPrevidência e seguro pagos direto
FamíliaNegocia tudo em pleno lutoEncontra as decisões já tomadas

Planejar não elimina imposto nem garante que não haverá conflito. O que muda é a previsibilidade: o custo é conhecido, as alternativas são comparadas e a família encontra as decisões tomadas, em vez de negociá-las num momento difícil. Em muitos casos, o resultado do planejamento é simples — um testamento, uma doação com usufruto, a revisão dos beneficiários da previdência.

O que fazer agora

  1. Compare as duas colunas com a situação da sua família hoje.
  2. Marque onde está o “sem planejamento” — é por ali que começa.
Decidir

Prazo do inventário em São Paulo: 60 dias, e depois multa

Em São Paulo, o inventário deve ser aberto em até 60 dias do falecimento. Depois disso, o ITCMD tem multa de 10%; passados 180 dias, de 20% — a multa incide sobre o valor do imposto, não sobre o patrimônio (Lei SP 10.705/2000, art. 21, I).

Cena 12 · Calendário do prazo
Dia 196multa de 20% sobre o impostoaté 60 dias: abrir o inventário sem multado 61º ao 180º dia: multa de 10% do impostodepois de 180 dias: multa de 20% do impostoITCMD pago em até 90 dias: desconto de 5%
Cada quadrado é um dia contado a partir do falecimento.

O prazo corre do falecimento, num momento em que a família está de luto e, muitas vezes, sem saber onde estão os documentos. É um dos custos mais evitáveis da sucessão.

Os marcos do prazo em São Paulo
MarcoO que acontece
Até 60 diasAbertura do inventário sem multa
Até 90 diasITCMD da herança pago com desconto de 5% (Decreto SP 46.655/2002, art. 31, §1º, item 2)
Depois de 60 diasMulta de 10% sobre o imposto
Depois de 180 diasMulta de 20% sobre o imposto

Exemplo de cálculo: num patrimônio de R$ 2 milhões, o ITCMD de 4% é de R$ 80 mil; a multa de 10% seria de R$ 8 mil, e a de 20%, de R$ 16 mil.

O Código de Processo Civil prevê abertura do inventário em 2 meses e conclusão em 12 meses (art. 611). O ITCMD pode ser parcelado em até 12 vezes, conforme o regulamento; na herança, o parcelamento não é concedido se houver no espólio dinheiro ou aplicações suficientes para pagar (Lei SP 10.705/2000, arts. 32 e 33).

O que fazer agora

  1. Deixe os documentos organizados e a família informada de onde estão.
  2. Garanta liquidez para o imposto: previdência e seguro chegam antes da partilha.
  3. Depois de um falecimento, procure orientação dentro dos 60 dias.
Ferramenta online

Calculadora de Inventário

Obtenha uma estimativa dos itens cobertos pela calculadora, conforme seus parâmetros, como ponto de partida para comparar alternativas. Não é orçamento oficial nem inclui honorários advocatícios.

Calcular o custo do inventário
Decidir

Como trabalhamos: um caminho em quatro etapas

Escuta, diagnóstico, plano por escrito e execução com revisão: a recomendação vem depois do diagnóstico, por escrito, com prós e contras de cada caminho — e a família decide com calma, nunca na primeira conversa.

Cena 13 · Quatro etapas
1Escutaconversa reservada sobre a família2Diagnósticobens, herdeiros e custos em cada cenário3Plano por escritoprós e contras; a família decide com calma4Execução e revisãoescrituras, testamento e revisão periódicaPresencial na Av. Paulista ou 100% digital.
A decisão vem depois do diagnóstico e do plano escrito.
  1. Escuta

    Conversa reservada sobre a família, o patrimônio e as preocupações. A primeira etapa é só escuta: ninguém precisa decidir nada nela.

  2. Diagnóstico

    Mapa de bens, herdeiros e custos de transmissão em cada cenário, inclusive com as novas alíquotas em discussão na Assembleia paulista.

  3. Plano por escrito

    Recomendação em linguagem clara, com prós e contras de cada caminho; a família decide com calma. Em muitos casos, o resultado é manter os bens na pessoa física, fazer um testamento, uma doação com usufruto ou apenas revisar os beneficiários da previdência.

  4. Execução e revisão

    Escrituras, testamento, cartórios e ajustes, acompanhando formalização e registros cabíveis — a lavratura de atos públicos compete ao tabelionato. Revisão sempre que a lei ou a família mudar.

Atendimento presencial na Avenida Paulista, 2.421, ou 100% digital. Honorários e forma de trabalho são tratados em conversa direta com o escritório.

O que fazer agora

  1. Reúna as respostas às quatro perguntas e os documentos que já tem.
  2. Fale com o escritório pelo canal que preferir — contatos abaixo.
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Renato Falchet

Renato Falchet

OAB/SP 344.334

Sócio fundador (OAB/SP 344.334). Pós-graduado em Direito das Sucessões (PUC-Campinas) e em Direito Empresarial (FGV). Especialista em planejamento sucessório, holdings e sucessão de empresas. Medalhas Notário Luiz Gama e Cruz de Conduta Distinta.

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Perguntas frequentes

35 perguntas sobre herança e planejamento

Respostas curtas, com a base legal. Para o seu caso, a análise é individual.

O que é planejamento sucessório?

É organizar em vida a transmissão e a gestão do patrimônio por instrumentos adequados à família, como doação com usufruto, testamento e holding. O objetivo é antecipar decisões, planejar custos e reduzir riscos, respeitando direitos de terceiros e limites legais. Economia e ausência de litígios não são garantidas.

Quando devo começar?

Comece quando puder analisar objetivos e alternativas com calma, preservada a capacidade exigida para os atos escolhidos. O plano deve ser revisto com mudanças familiares, patrimoniais ou legais. Idade, doença ou deficiência, isoladamente, não retiram a capacidade de decidir.

Planejar reduz impostos?

Pode haver economia em determinados cenários, mas também novos tributos e custos de manutenção. Comparamos alternativas com dados documentados, considerando ITCMD, outros tributos, despesas de formalização e regras vigentes. Não há isenção automática nem garantia de evitar inventário litigioso.

Posso doar e continuar usando os bens?

Sim, a doação com reserva de usufruto pode transferir a nua-propriedade e preservar o uso e os rendimentos pelo prazo previsto, observadas as formalidades e os registros necessários. Devem ser respeitadas a legítima e a subsistência do doador. O usufruto não preserva todos os poderes de proprietário nem elimina deveres de conservação ou tributários.

Se eu não fizer testamento, quem herda meus bens?

A lei define a ordem. Primeiro os descendentes (filhos, netos), junto com o cônjuge conforme o regime de bens; depois os ascendentes (pais, avós), com o cônjuge; depois o cônjuge sozinho; por fim, os parentes até o quarto grau, como irmãos e sobrinhos. A divisão não considera preferências pessoais, e a partilha depende de acordo entre os herdeiros ou de decisão judicial (Código Civil, art. 1.829).

Posso deixar tudo para um filho só?

Não, se houver outros herdeiros necessários. Metade do patrimônio, a legítima, é reservada por lei aos descendentes, ascendentes e cônjuge. Só a outra metade, a parte disponível, pode ir para um filho específico, por testamento ou doação. Quem não tem herdeiros necessários pode dispor de tudo (Código Civil, arts. 1.789 e 1.846).

Companheiro de união estável herda como cônjuge?

Sim. O STF equiparou o companheiro de união estável ao cônjuge para fins de herança, nos Temas 498 e 809, julgados em 2017. Na prática, aplica-se ao companheiro a mesma ordem do Código Civil (art. 1.829) que vale para o cônjuge. Como a existência e o início da união podem ser discutidos no inventário, documentar a relação ajuda a evitar dúvidas.

E se eu morrer sem testamento, casado e com dois filhos?

A herança é dividida pela lei entre os filhos e, conforme o regime de bens, o cônjuge pode concorrer com eles. Antes disso, o cônjuge tem a meação: a metade dos bens comuns do casal, que já é dele e não é herança. Por isso a primeira conta é separar a meação; só depois se divide a herança (Código Civil, arts. 1.658 e 1.829).

Testamento evita inventário?

Não. O testamento organiza quem recebe o quê, mas o inventário continua necessário. Desde a Resolução CNJ 571/2024, se os herdeiros estiverem de acordo e o testamento tiver sido registrado ou cumprido judicialmente, o inventário pode ser feito em cartório, em geral bem mais rápido que o judicial.

Planejamento sucessório é só para quem tem muito patrimônio?

Não. As quatro perguntas — quem fica com o quê, quanto custa, quem decide se eu não puder e como evitar briga — valem para qualquer família. Um testamento, a revisão dos beneficiários da previdência e as diretivas de vontade são medidas simples perto do custo de um inventário sem planejamento, que pode ter multa e levar anos na Justiça.

Testamento não vira motivo de briga e processo?

Pode ser contestado, principalmente quando mal redigido ou quando invade a legítima dos herdeiros necessários. Um testamento público, feito em cartório diante de duas testemunhas, bem fundamentado e dentro da lei, reduz esse risco, embora nenhum instrumento elimine a possibilidade de disputa (Código Civil, arts. 1.846 e 1.864).

Quanto pago de imposto para doar um imóvel com usufruto em São Paulo?

O ITCMD é de 4%. Você pode pagar 2/3 na escritura e 1/3 quando o usufruto acabar, ou tudo de uma vez na escritura. Num imóvel de R$ 900 mil, são R$ 24 mil na escritura e o restante depois, ou R$ 36 mil de uma vez. O Imposto de Renda da doação também deve ser calculado antes (Lei SP 10.705/2000; Decreto SP 46.655/2002, art. 31, §3º).

Doação com usufruto não paga imposto duas vezes?

Não paga duas vezes, mas em São Paulo pode pagar em duas vezes. O imposto é um só, o da doação: 2/3 na escritura e 1/3 quando o usufruto acaba, ou 100% na escritura, por opção. A LC 227/2026 confirma que a extinção do usufruto não é fato gerador novo. Quem pagou 100% na escritura não tem nada a pagar depois.

Vale a pena pagar o ITCMD inteiro já na escritura?

Na posição do escritório, tende a ser mais seguro. Quita o imposto de uma vez, evita que a família precise lembrar e pagar o terço anos depois e afasta a incerteza sobre a alíquota aplicável a esse terço se a régua paulista mudar. O terço diferido é calculado sobre o valor do bem na data da doação, corrigido pela UFESP.

E se eu precisar vender o imóvel depois de doar?

A venda passa a depender da concordância dos filhos, que são os donos. Se houver cláusula de inalienabilidade, fica ainda mais difícil. Por isso a decisão de doar precisa considerar a necessidade futura de dinheiro e a subsistência de quem doa, e não só a economia de tempo no inventário (Código Civil, arts. 1.228 e 1.911).

Doar em vida sai mais barato do que deixar de herança?

O imposto é o mesmo ITCMD na doação e na herança — 4% em São Paulo hoje. A vantagem da doação é decidir em vida, escolher o momento e a forma, com usufruto e cláusulas, e tirar aquele bem do inventário. O custo final depende do valor, do Imposto de Renda na doação e de eventual mudança na lei paulista.

Vale a pena doar antes da lei nova do ITCMD?

Depende. Um projeto em tramitação na Assembleia paulista aumenta o imposto para patrimônios grandes (PL 7/2024, de 2% a 8%) e outro reduz (PL 409/2025, de 1% a 4%). Antecipar uma doação para fugir de uma alíquota que pode acabar menor seria erro. A conta inclui o valor do patrimônio, o Imposto de Renda e a situação da família.

O ITCMD em São Paulo já subiu para 8%?

Não. Hoje São Paulo cobra 4% fixo (Lei SP 10.705/2000, art. 16). O que existe são projetos: o PL 7/2024 propõe de 2% a 8% e o PL 409/2025, de 1% a 4%. Há sites que apresentam o projeto como se fosse lei. Se uma lei que aumente o imposto for aprovada, só vale no ano seguinte e após 90 dias.

Holding familiar ainda vale a pena depois da Reforma Tributária?

Como regra geral, salvo raras exceções, o escritório não recomenda holding. As exceções costumam envolver vários imóveis, aluguel relevante, empresas operacionais ou necessidade de regras entre herdeiros. A Reforma acrescentou custos — IBS/CBS sobre o aluguel da empresa, tributação de dividendos e ITCMD das quotas a valor de mercado — que precisam ser comparados com manter os bens na pessoa física.

Holding serve para não pagar imposto de herança?

Não. A doação ou a herança das quotas paga ITCMD. A holding pode organizar a sucessão, evitar o inventário de cada imóvel e criar regras de governança, mas promessa de não pagar imposto com holding não corresponde à lei. Estrutura sem propósito real além de reduzir tributo pode ser desconsiderada pelo fisco (CTN, art. 116, parágrafo único).

O VGBL paga imposto de herança?

Em regra, não. O STF afastou o ITCMD sobre VGBL e PGBL pagos aos beneficiários na morte do titular (Tema 1.214), e a LC 227/2026 confirmou a não incidência para previdência, seguro e pecúlio. Como a seguradora paga direto, o valor também não entra no inventário. Aportes acima de R$ 600 mil por ano, porém, pagam IOF de 5% sobre o excedente.

Seguro de vida entra na herança?

Não. O capital do seguro de vida pago ao beneficiário não é herança e não responde pelas dívidas de quem morreu (Código Civil, art. 794). Ele chega à família fora do inventário e pode ajudar a pagar o ITCMD e as despesas da sucessão sem que seja preciso vender bens às pressas. Vale conferir se o beneficiário indicado ainda reflete a família de hoje.

Posso deixar o VGBL para quem eu quiser, mesmo não sendo herdeiro?

O titular escolhe livremente os beneficiários. Mas o STJ já decidiu que, quando ficar evidenciado que o plano funcionava como investimento, os valores podem ser trazidos à colação e à partilha, protegendo a parte dos herdeiros necessários (REsp 2.004.210/SP, 4ª Turma, 2023). Para fins de ITCMD, a jurisprudência trata o VGBL como seguro.

O mandato preventivo evita a interdição?

Pode ajudar, mas não garante. Não há lei específica sobre ele no Brasil, e o Código Civil prevê que o mandato se extingue com a interdição. Na leitura do escritório, ele funciona sobretudo como prova da vontade: registra quem a pessoa escolheu para cuidar dos bens e como queria a administração, e isso pesa na escolha do curador.

O que é testamento vital?

É o nome popular das diretivas antecipadas de vontade: o documento, em geral escritura pública, em que a pessoa registra quais tratamentos médicos aceita ou recusa — por exemplo, ser mantida viva por aparelhos — se não puder se manifestar. É reconhecido pela Resolução CFM 1.995/2012, e o médico deve considerá-lo dentro dos limites éticos e legais. Não se confunde com o testamento, que vale depois da morte.

Meu pai já está com Alzheimer. Ainda dá tempo de fazer o mandato preventivo?

Depende do grau de capacidade no momento do ato. Mandato preventivo e diretivas devem ser feitos enquanto a pessoa está plenamente capaz; depois da perda de lucidez, já não é possível. O diagnóstico, isoladamente, não significa incapacidade: a capacidade é analisada ato a ato. Quando a manifestação de vontade já está comprometida, podem ser necessárias medidas de apoio ou a curatela.

Herança de conta bancária no exterior paga ITCMD?

A LC 227/2026 criou a base para a cobrança, definindo qual estado pode cobrar conforme o tipo de bem e o domicílio, mas cada estado precisa aprovar lei própria. Em São Paulo essa lei ainda não existe e, até lá, a cobrança é contestável (STF, Tema 825). O Imposto de Renda, por outro lado, já alcança anualmente os rendimentos lá fora (Lei 14.754/2023).

Tenho imóvel em Portugal. Vai precisar de inventário lá também?

Possivelmente. Bens no exterior em geral seguem as regras e o processo do país onde estão, o que pode exigir dois procedimentos, um aqui e outro lá. A regra de cada país precisa ser verificada no caso concreto. Organizar em vida a forma de titularidade e a transmissão ajuda a evitar dois processos em dois países.

Dá para fazer inventário em cartório com herdeiro menor de idade?

Sim, desde 2024, desde que o menor receba sua parte ideal em cada bem e haja manifestação favorável do Ministério Público. A mudança veio com a Resolução CNJ 571/2024, que alterou a Resolução 35/2007. Continua sendo necessário o acordo entre todos os herdeiros; havendo conflito, o caminho é o inventário judicial.

Quanto tempo demora um inventário?

No cartório, em média 30 dias, segundo o Colégio Notarial do Brasil em São Paulo; na Justiça, pode chegar a quatro anos. Para comparar, o CNJ informa que os processos encerrados em 2025 duraram em média 2 anos e 4 meses. O cartório exige acordo entre os herdeiros e documentação completa.

Qual o prazo para abrir o inventário em São Paulo?

60 dias contados do falecimento. Depois disso, o imposto da herança tem multa de 10%; se passar de 180 dias, a multa é de 20%. A multa é sobre o valor do imposto, não sobre o patrimônio (Lei SP 10.705/2000, art. 21, I). Pago em até 90 dias do falecimento, o ITCMD da herança tem desconto de 5%.

Pagar o imposto da herança rápido dá desconto?

Em São Paulo, sim: o ITCMD da herança pago em até 90 dias da data do falecimento tem desconto de 5% (Decreto SP 46.655/2002, art. 31, §1º, item 2). O imposto também pode ser parcelado em até 12 vezes, mas, na herança, o parcelamento não é concedido se houver no espólio dinheiro ou aplicações suficientes para pagar.

As contas do falecido ficam bloqueadas até o fim do inventário?

Em regra, sim: os bens e saldos ficam vinculados ao espólio até a partilha. Previdência privada e seguro de vida, por outro lado, são pagos direto aos beneficiários, fora do inventário. Por isso a revisão dos beneficiários é parte do planejamento: é o que garante dinheiro disponível para a família enquanto o inventário corre.

Preciso decidir tudo na primeira conversa?

Não. A primeira etapa é só escuta. A recomendação vem depois do diagnóstico patrimonial, por escrito, com prós e contras de cada caminho, e a família decide com calma. Em muitos casos, o resultado é manter os bens na pessoa física, fazer um testamento, uma doação com usufruto ou apenas revisar os beneficiários da previdência.

O atendimento pode ser online?

Sim. O atendimento pode ser presencial, no escritório da Avenida Paulista, 2.421, em São Paulo, ou 100% digital. Os atos públicos, como testamento e escritura de doação, são lavrados pelo tabelionato, conforme as regras de cada cartório; o escritório prepara e acompanha cada etapa.

Contato

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A primeira etapa é de escuta: você conta a situação da família e do patrimônio, e a recomendação vem depois, por escrito. Renato Falchet, OAB/SP 344.334, responde pela área de Direito Sucessório.

Conteúdo informativo, conforme o Provimento 205/2021 da OAB. Não substitui a análise do caso concreto.

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